Vannick Belchior inicia nova fase com versão de “Carisma”, composição lado b de seu pai

A obra de Belchior nunca foi confortável e, talvez por isso, permaneça tão urgente e atual. É sob essa premissa de contínua provocação, afeto e busca por suas origens que a cantora cearense Vannick Belchior apresenta “Carisma”. A faixa, disponível em um vídeo que é um manifesto visual e conceitual da artista, é uma composição de seu pai Belchior e serve como o cartão de visitas oficial para introduzir a nova e madura fase na carreira.

Dando continuidade ao seu papel de guardiã do acervo paterno, Vannick escolheu uma obra considerada “lado B” do catálogo do compositor para marcar essa virada de chave. Originalmente pensada como um baião, “Carisma” ganhou uma roupagem contemporânea que transita pelo forró e incorpora elementos tradicionais da música nordestina, como o som do pífano. A escolha reflete o desejo da cantora de homenagear suas maiores referências musicais, que incluem ícones como Luiz Gonzaga, Dominguinhos e Tom Zé.

Para Vannick, o objetivo central deste lançamento e do vídeo é tirar a produção artística da mesmice e combater o preconceito geográfico que afasta a rica identidade do Nordeste da prateleira principal do país.

Eu escolhi ‘Carisma’ para essa virada porque ela me mantém muito aterrada, mantém viva a minha ancestralidade regional do Ceará. Quero bater na tecla de que a cultura regional faz parte da cultura brasileira; ela é uma cultura pertencente ao Brasil tanto quanto a cultura do Sudeste. O conceito desse vídeo traz essa firmeza ancestral territorial. A palavra-chave para essa virada é cultura, que engloba tudo: a música, a arte, a pintura, a dança e o teatro. Minhas criações agora dialogam diretamente com o público para trazer reflexões de cunho social e artístico”, explica a cantora.

O clipe mergulha na tradição folclórica e ritualística dos reisados do Ceará. O registro audiovisual foi gravado em parceria com o tradicional Reisado de Santa Luzia, de Fortaleza, sob o comando do Mestre João. No vídeo, a presença de uma criança (vivida pelo filho do próprio mestre) amarra o conceito de transmissão de saberes de geração para geração, espelhando a própria trajetória de Vannick, que dá continuidade criativa ao trabalho iniciado por seu pai.

Nascida em Fortaleza, Vannick traz no DNA o sangue nordestino e atua como uma verdadeira guardiã do acervo e legado do pai, tendo liderado anteriormente os elogiados projetos “Das Coisas que Aprendi nos Discos” e “Concerto à Palo Seco”. Curiosamente, a intérprete iniciou sua caminhada profissional nos palcos aos 24 anos de idade, exatamente a mesma idade com que Belchior estreou na música. Desde que despontou na cena, Vannick lotou o tradicional Cineteatro São Luiz em sua terra natal, circulou pelo país, marcou presença em programas como Altas Horas e Faustão na Band, e comandou grandes blocos de Carnaval em Belo Horizonte e Fortaleza. A artista prepara um álbum com um mergulho neste universo para o segundo semestre.

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