As novelas mudaram de formato, migraram para o universo dos smartphones e das redes sociais, mas continuam carregando os mesmos ingredientes que conquistaram o público durante décadas: paixão, conflitos intensos, personagens memoráveis, exageros dramáticos e grandes reviravoltas. É justamente desse encontro entre tradição televisiva e linguagem contemporânea que nasce “Amor Sem Receita”, novela vertical criada, escrita e dirigida pelo ator, diretor e criador de conteúdo Irê Alves.
Em reta final de exibição, a produção independente vem chamando atenção ao unir humor, melodrama, estética camp e referências diretas às clássicas novelas brasileiras e mexicanas. Entre as homenagens presentes na obra está também o legado do autor Manoel Carlos, eternizado por suas emblemáticas protagonistas chamadas Helena.
Como tributo ao novelista, falecido este ano, a produção apresenta uma nova Helena, interpretada pela atriz Maria Eugênia Sordi.
Segundo Irê Alves, a escolha do nome foi cuidadosamente pensada.
“Manoel Carlos foi um dos maiores cronistas das emoções humanas na televisão brasileira. As Helenas dele atravessaram gerações. Nossa Helena tem personalidade própria, mas carrega esse olhar para personagens humanas, fortes, contraditórias e profundamente emocionais.”
A ideia de “Amor Sem Receita”, porém, nasceu diretamente do contato entre o artista e seu público digital.
Além da atuação, Irê também atua como criador de conteúdo nas redes sociais. Segundo ele, foram os próprios seguidores que impulsionaram o projeto.
“Os seguidores estavam pedindo uma série ou uma novela vertical com Irê, Bella e Kauan, pessoas que gravam vídeos juntos frequentemente. O maior trabalho foi pensar em uma sinopse. Eu não queria nada normal. Queria uma novela que soasse ‘camp’. Quando os outros dois aprovaram, comecei a escrever.”
A proposta rapidamente ganhou forma, mas exigia personagens com forte presença dramática.
“Então vi que precisava de uma atriz que vivesse Verônica, uma mulher poderosa. A primeira pessoa que me veio à cabeça foi Kethellen Soares, uma atriz extremamente competente. Então começamos a produção. Escrevi o roteiro, montamos uma farmácia em uma varanda de apartamento e gravamos por duas semanas. Foi um desafio.”
O elenco reúne Maria Eugênia Sordi, Kethellen Soares, Bella Zanini, Kauan e o próprio Irê Alves, formando um núcleo jovem que aposta na intensidade emocional e no dinamismo da linguagem digital para sustentar a narrativa.
Para Maria Eugênia Sordi, interpretar Helena significou dialogar com uma tradição importante da dramaturgia brasileira.
“Quando recebi a personagem, compreendi imediatamente a responsabilidade simbólica desse nome. As Helenas fazem parte da memória afetiva da televisão brasileira. Construí minha personagem buscando verdade, emoção e autenticidade.”
Já Kethellen Soares destaca o encontro entre formatos tradicionais e contemporâneos.
“Existe algo muito interessante em unir a linguagem rápida das redes sociais com a emoção clássica das novelas. É uma homenagem ao gênero, mas também uma atualização dele.”
A atriz Bella Zanini acredita que as novelas verticais representam um novo caminho para o audiovisual nacional.
“As plataformas digitais estão abrindo espaço para novas maneiras de contar histórias. Poder participar de um projeto que homenageia a dramaturgia clássica usando uma linguagem moderna torna tudo ainda mais especial.”
Para Kauan, a força do projeto está justamente na paixão coletiva envolvida na produção.
“Todos nós entendemos a importância dessa homenagem. Existe muito carinho em cada cena. É uma forma de mostrar que as novelas continuam vivas, mesmo em novos formatos.”
Sem esconder suas inspirações, “Amor Sem Receita” assume o DNA melodramático como parte central da narrativa.
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