Antes de se consolidar como um dos maiores expoentes do forró tradicional, o cantor e compositor Adelmario Coelho trilhou caminhos bem distantes dos holofotes. Natural de Curaçá, no sertão da Bahia, o artista trabalhou no Polo Petroquímico de Camaçari e chegou a ganhar a vida como motorista de táxi. Hoje, com mais de três décadas de uma carreira sólida, ele é peça fundamental no calendário dos maiores festejos juninos do país.
O pontapé inicial na música aconteceu de forma despretensiosa em Caruaru, no Agreste de Pernambuco. Lá, Adelmario gravou um disco experimental que trazia a faixa “Barro Vermelho e sua realidade”, uma composição própria em homenagem à sua terra natal. O projeto chamou a atenção de Edson Lima, dono do estúdio, que o incentivou a dar um passo definitivo. O conselho resultou no lançamento de seu primeiro vinil, em 1994, intitulado “No Balanço do Forró”, que já contava com canções do renomado compositor Onildo Almeida.
No ano seguinte, em 1995, o que era para ser o lançamento de seu primeiro álbum oficial transformou-se em um teste de resiliência. Um caminhoneiro que transportava a carga inicial de 3 mil cópias do novo disco sofreu um acidente próximo à cidade de Eunápolis, no extremo sul da Bahia. O veículo tombou e toda a tiragem de prensagem foi saqueada.
O álbum em questão era “Não fale mal do meu País”. Apesar do prejuízo material e do susto, a força do repertório superou a adversidade: a faixa-título estourou nas rádios baianas e nordestinas, tornando-se o grande sucesso na carreira do artista e abrindo as portas para o mercado nacional.
Fiel ao chamado “Forró Gonzaguiano” e às raízes do pé-de-serra, Adelmario Coelho transformou sua música em um manifesto de exaltação ao homem do sertão. No palco, o figurino que resgata a vestimenta do vaqueiro nordestino reforça sua identidade estética e cultural. Além dos ritmos juninos, o cantor também transita com propriedade pelo universo do forró de vaquejada.

Ao longo de sua trajetória, o baiano acumulou homenagens aos seus grandes mestres, gravando projetos dedicados a Luiz Gonzaga e ao Trio Nordestino, em formatos que vão do acústico ao Ao vivo. O reconhecimento de sua contribuição cultural veio também em forma de honrarias: Adelmario recebeu os títulos de cidadão soteropolitano (Salvador), juazeirense (Juazeiro) e aracajuano (Aracaju).
Com uma agenda que permanece movimentada durante todo o ano e ferve no mês de junho, o artista já rompeu as fronteiras do Brasil, somando duas turnês bem-sucedidas pela Europa.
Atualmente, Adelmario segue conectando gerações. Seu lançamento recente, a faixa “Só tenho um”, traz a participação especial da cantora Solange Almeida, mostrando que a tradição do autêntico forró segue viva, moderna e indispensável para a música brasileira.
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