Com letra escrita por Belchior e música composta por Rick Ferreira, a canção ganha vida em uma nova e potente produção musical assinada pelo próprio Rick, que também assume violão, guitarras e pedal steel. A colaboração resgata e renova uma raiz inventiva que atravessa gerações, unindo a memória afetiva a uma roupagem sonora contemporânea.
Em “Meu Nome É Cem”, Vannick propõe uma reflexão profunda sobre o cidadão comum que, por não atender aos padrões de prestígio, poder ou acúmulo financeiro, torna-se invisível na engrenagem social. Ao ter sua identidade dissolvida por não corresponder às expectativas de sucesso imediato, o indivíduo é transformado em alguém “sem destaque”, desprovido de reconhecimento apesar de cumprir rigorosamente o seu papel.
“Escolhi a música ‘Meu Nome é Cem’ por ela ser o eixo central deste álbum visual, cujo propósito é investigar as feridas latentes e cíclicas que persistem na sociedade brasileira. A composição retrata o cidadão comum que se vê invisibilizado. No videoclipe, expandimos essa reflexão para a precariedade do artista no Brasil, abordando a história de um palhaço que é marginalizado e colocado de escanteio. O circo é o primeiro teatro popular e me identifiquei muito com os artistas circenses, com esse modo de vida itinerante e com essa tradição passada de pai para filho, que espelha a continuidade artística e a raiz de invenção que recebi do meu pai”, explica Vannick Belchior.
Com direção de arte e roteiro assinados por Larissa Diniz e direção criativa da própria cantora, o videoclipe foi gravado no picadeiro do América Circo e conta com a participação de artistas circenses. A narrativa do palhaço em cena simboliza a luta por espaços de expressão frequentemente negados àqueles que dedicam suas vidas à arte, personificando sujeitos impedidos de ocupar o centro da cena cultural do país.
Nascida em Fortaleza, Vannick traz no DNA o sangue nordestino e atua como uma verdadeira guardiã do acervo e legado do pai, tendo liderado anteriormente os elogiados projetos “Das Coisas que Aprendi nos Discos” e “Concerto à Palo Seco”. Curiosamente, a intérprete iniciou sua caminhada profissional nos palcos aos 24 anos de idade, exatamente a mesma idade com que Belchior estreou na música. Desde que despontou na cena, Vannick lotou o tradicional Cineteatro São Luiz em sua terra natal, circulou pelo país, marcou presença em programas como Altas Horas e Faustão na Band, e comandou grandes blocos de Carnaval em Belo Horizonte e Fortaleza. Recentemente ela lançou o manifesto artístico “Carisma” como uma virada de página e abertura dos trabalhos desta nova fase.
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