Mariah Marini lança EP e prova que toda vida tem uma música esperando para ser cantada

Existe uma música para a paixão que nunca foi correspondida. Uma para o amor que quase aconteceu. Uma para a angústia de estar na beira dos 30 anos sem saber se a vida vai para onde você planejou. E uma para quando você olha para o lado no sinal vermelho e percebe que o amor pode aparecer em qualquer lugar, sem avisar. Mariah Marini sabe disso, e foi exatamente aí que ela construiu o seu EP de estreia, Trilhas da Vida.

A artista carioca não chega como uma novidade ao cenário musical brasileiro. Em 2019, ela participou do Projeto Jovens Tarde, da Rede Globo, e desde então seguiu construindo uma trajetória consistente e verdadeira, longe dos atalhos. Gravou ao lado de uma artista franco-americana uma homenagem ao Rio de Janeiro que ultrapassou 1 milhão de visualizações. Emplacou uma faixa que virou trend no TikTok com 500 mil plays. E em 2023, lançou uma canção sobre futebol feminino que foi tocada no estádio durante a final da Copa América, após o título da Seleção Brasileira, e se tornou atemporal: todos os dias, uma menina em algum canto do Brasil posta um vídeo com ela ao fundo, porque o sonho de jogar bola não tem data de validade.

Agora, com mais maturidade e a mesma entrega de sempre, Mariah reúne em cinco faixas tudo o que viveu, sentiu e ainda carrega. O resultado é um EP que não tenta ser grande. Tenta ser real, e é exatamente por isso que é grande.

As cinco trilhas
O EP abre com Saturno, o hit do projeto. A faixa nasce de uma paixão platônica vivida na adolescência, aquele sentimento que nunca teve nome mas teve peso de planeta. Mariah transforma a memória em canção com uma precisão que desarma: quem ouve reconhece de imediato. É a música daquele amor que existiu em silêncio.

A segunda faixa, Fé Vai Vencer, muda o tom sem perder a intimidade. É um manifesto sobre acreditar nos próprios sonhos quando o mundo pede que você desista. Suave na forma, firme no recado: insistir também é um ato de amor por si mesmo.

O momento mais corajoso do EP talvez seja Quase 30. Mariah enfrenta de frente a crise de uma geração inteira: aquela sensação de estar entre o que você era e o que ainda não sabe se vai ser. A faixa transita entre o humor e a dor com uma naturalidade que só quem já esteve nesse lugar consegue alcançar.

Se a Vida Mudar chega como uma pergunta em forma de canção. É sobre um amor que poderia ter acontecido e não aconteceu, e sobre o que ainda pode vir, caso a vida mude. Uma das faixas mais delicadas do EP, e provavelmente a que vai ficar mais tempo na cabeça de quem ouvir.

O EP fecha com Sinal Vermelho, uma canção romântica que celebra o amor livre, sem preconceito e sem cerimônia, no ritmo do cotidiano e do trânsito dos carros. O amor que aparece enquanto a vida passa, num sinal que fecha e abre de novo. Um encerramento que não resolve tudo, mas convida a continuar.

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