“De cabôco pra cabôco” marca novo momento do grupo Kuatá de Carimbó

A Vila de Alter do Chão, na Amazônia paraense, tem vivido um período intenso de registro e disseminação de sua cultura pelos meios digitais. Entre os trabalhos contemplados pela Lei Aldir Blanc de Emergência Cultural do Pará, o projeto do Mestre Hermes Caldeira e seu grupo Kuatá de Carimbó é aguardado com grande expectativa, já que eles não fizeram lives ou apresentações nos últimos dois anos.

O álbum “De cabôco pra cabôco” chega ao público pelas principais plataformas digitais e mostra o novo momento do grupo que, com mais de uma década de história nas ruas e nos palcos em Alter do Chão, Santarém, São Paulo e Rio de Janeiro, focou na qualidade musical de estúdio trazendo nove faixas com produção de Boro/Alter do Som, gravação e mixagem de Júlio Tapará e masterização de Gustavo Lenza.

O compasso acelerado da música em relação ao “carimbó chamegado” da região — uma performance belíssima dos percussionistas quando estão no palco — , a voz potente e marcante do líder Hermes Caldeira, e as letras sobre cotidiano da vida cabocla dos seus próprios integrantes são a marca do Kuatá.

Além de tocarem juntos há mais de dez anos, quase todos os integrantes do Kuatá cresceram juntos às margens do Tapajós, tendo inclusive participado ativamente do movimento de revitalização do Carimbó, tombado como Patrimônio Cultural Imaterial Brasileiro em 2014: Hermes Caldeira (banjo/voz), Rudá Nóbrega (banjo/voz/curimbó), Edelson Borari (curimbó/maracas), Erik Erlan (curimbó/caixa) Sérgio Corrêa (sax) e Luiz Manoel (maracas).

O único músico de fora de Alter é o argentino Francisco Alvarez (flauta), que toca com o Kuatá há quase cinco anos e soma com o grupo também na sua experiência com a música num sentido mais formal. Graduado pela Universidade Federal de La Plata, Francisco teve papel fundamental nessa nova fase de adaptação do trabalho para o estúdio.

“Nosso álbum vem pra valorizar as vivências da gente da terra e contar nossas histórias reais”, diz Hermes Caldeira. “Minhas letras também têm uma herança do querido Magnólio, um arte-educador com quem tive a honra de trabalhar no Projeto Saúde e Alegria, e que me ensinou a fazer educação ambiental por meio da música. Isso está muito presente em todo o meu trabalho, quando falo do cupuaçu, da palheira, dos peixes da nossa região, é também uma forma de passar informação”.

São nove canções, dentre as quais cinco já faziam parte do repertório do Kuatá nos shows presenciais. Outras quatro, “Abrindo a Palheira”, “Segredo do Igapó”, “Marambiré do Kuatá”  e “Carimbó da Arraia” estão sendo apresentadas ao público pela primeira vez. A música “Segredo do Igapó” é uma composição de Ruda Nóbrega, que está na França e enviou sua participação de lá, vocal e percussão.

Faixa a faixa
No Balanço do Rio – Hermes Caldeira
Uma homenagem para a terra da mãe do autor, Aritapera, assim como outros pontos da região do Tapajós como Santarém e Alter do Chão. O rio leva pra todos os lugares.

Carimbó da Canoa – Hermes Caldeira
Baseado numa história real de quando Hermes Caldeira perdeu sua canoa após um temporal e a encontrou já distante após muita procura.

Pirapataca – Hermes Caldeira
Música que lembra a infância do Tapajós. Pirapataca é um peixinho marcante para as crianças pois está sempre perto e inspira brincadeiras.

Pra fazer um Carimbó – Levi Alcântara e Hermes Caldeira
Música enviada pelo professor Levi, também paraense mas da região de Belém, que retratou como enxergava o carimbó. Muitos anos depois, Hermes encontrou a melodia.

Cheiro de Cupuaçu – Hermes Caldeira
A produtora e selo Alter do Som fez um desafio para composição de letras de carimbó em comemoração ao aniversário do Espaço Alter. Hermes escolheu definir a fruta cupuaçu, a partir de algumas de suas peculiaridades conhecidas por quem vive na Amazônia.

Marambiré do Kuatá – Hermes Caldeira
Durante a primeira fase da pandemia, quando estava em Belo Horizonte, Hermes compôs essa música em homenagem ao ritmo do marambiré, de origem africana, tocado no quilombo de Pacoval, no Oeste do Pará, e que foi incorporado ao Sairé de Alter do Chão.

Abrindo a Palheira – Hermes Caldeira
A palheira do Curuá é muito importante para a região, dela se faz teto da casa, paneiro, cesta, come-se fruta e antigamente tirava-se óleo do coco para cozinha, etc. A canção faz uma homenagem a essa planta e ao seu manuseio.

Segredo do Igapó – Rudá Nóbrega
Composição de Ruda Nóbrega, conta a história da Mãe do Lago, que representa os “encantados”, seres protetores dos lugares. É também uma música de protesto, direcionada a um pedido por um turismo consciente.

Carimbó da Arraia – Hermes Caldeira e Paulinho Barreto
A arraia é um peixe temido na região, que ataca na seca. Muitos evitam falar sobre o assunto por gerar medo, mas a ideia é desmistificar e trazer o assunto para conscientizar.

Sobre o Grupo Kuatá de Carimbó
Criado na Vila de Alter do Chão, na Amazônia paraense, em 2010, o grupo Kuatá de Carimbó já tocou com nomes consagrados da música do Norte como Dona Onete, Gaby Amarantos, Patrícia Bastos e Manoel Cordeiro. No início de 2018, lançou um EP e integrou a coletânea Vem Carimbolar, ambas pelo Alter do Som. Fez turnê por São Paulo passando pela Virada Cultural, Teatro Brincante, Centro Cultural Rio Verde e Mundo Pensante. No Rio de Janeiro, se apresentou na Casa Porto, no Carimbloco e no Bar do Nanan. Faz parte do Movimento de Carimbó do Oeste do Pará.

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