Diogo Defante é dirigido por um robô no clipe “Humanoide”

Diogo Defante lança “Humanoide”, novo single e videoclipe. A principal provocação é o Defante ser dirigido por um robô durante a gravação, invertendo a relação entre humano e tecnologia. O duelo entre os dois existe, mas fica em segundo plano diante da máquina assumindo o controle da criação.

Na história, Gepeto é um robô humanoide criado para facilitar a rotina das pessoas, inclusive para dar vida a um roteiro do próprio artista. Aos poucos, a experiência de progresso vira uma situação de empolgação e descontrole. Defante passa de protagonista a alguém que precisa seguir as instruções da criatura, enquanto o clipe brinca sobre quem está realmente no comando.

A inversão ganha força quando o videoclipe questiona o que é real e o que foi fabricado. No desfecho, a quebra da quarta parede revela os bastidores e transforma o making of em parte da narrativa. Se qualquer imagem pode ser simulada, mostrar como algo foi feito passa a ser quase uma prova de autenticidade.

Concebido, filmado e dirigido por Daniel Ferro, Bruno Rocha e Pedro Magalhães, o clipe utiliza IA na pós-produção a partir de cenas e expressões humanas reais. A tecnologia não é apenas tema, ela participa da própria construção da obra. A contradição é justamente um trabalho sobre os limites da IA também utiliza a tecnologia para existir.

Visualmente, “Humanoide” explora o conflito entre controle e improviso. Gepeto representa precisão e organização, enquanto Defante aparece no movimento, no erro e na energia do rock. A câmera acompanha essa tensão com cortes acelerados e uma estética que mistura ficção científica e performance.

Musicalmente, “Humanoide” transita pelo rock alternativo contemporâneo, com influências de hardcore, indie rock e punk melódico. Guitarra, baixo e bateria dividem espaço com elementos eletrônicos ligados ao universo tecnológico. A faixa transforma a discussão sobre IA em matéria-prima musical, sem assumir uma posição contra ou a favor da tecnologia.

Para Defante, “Humanoide” nasceu da percepção de que a tecnologia está mudando nossa relação com as imagens e com a realidade. “As pessoas passam a se perguntar se o que veem é criação humana ou algoritmo. Talvez todo mundo volte a se encontrar para ver um show ao vivo, porque ninguém acredita mais em nada pela tela. Acho que o futuro vai ser voltar para essas coisas físicas. Foi refletindo nisso que pensei em fazer a música”, explica.

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